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Bem-estar animal: Conheça a importância da tecnologia para o abate


Por Equipe H.J. Baker em 02/05/2019

As operações dos matadouros estão evoluindo, impulsionadas por avanços em tecnologia e metodologias — e isso permitiu que os produtores de carne incrementassem significativamente a qualidade da proteína animal, com maior ênfase na segurança alimentar e no bem-estar das criações.

Os exigentes mercados internacionais, a fiscalização nas diferentes etapas da produção e os recentes supostos problemas de adulteração dos produtos cárneos direcionaram as atenções para esse segmento de mercado, resultando em abatedouros mais eficientes.

Parte dessa eficiência é decorrente das novas ferramentas e técnicas direcionadas para a melhoria do abate, e o artigo a seguir pretende tratar justamente sobre essas tecnologias que estão permitindo formas adequadas a prática de bem estar animal no abate de animais.

A relação entre o abate e a qualidade da carne

A Instrução Normativa nº 3, de 17 de janeiro de 2000, publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estabelece que o abate humanitário permite o “o bem-estar dos animais desde a recepção até a operação de sangria”. Mais do que isso, a IN também trata o abate humanitário como uma forma de alcançar uma maior qualidade da carne produzida para consumo interno e para exportação.

Além das óbvias questões éticas, um manejo inadequado e um abate que não humanitário, normalmente gera estresse aos animais levando a alteração no pH muscular, alterações no aspecto, sabor e tempo de prateleira da carne produzida (Felicio, 1997).

Quando o animal passa por estresse por um longo período antes do abate, apresenta um problema conhecido como DFD (dark, firm and dry meat), ou seja, carne escura, firme e seca, essa carne apresenta um pH entre 6,5 e 6,8. Já quando o animal é submetido a estresse curto antes ou durante o abate ocasiona o problema conhecido como PSE (pale, soft and exudative meat), ou seja, uma carne pálida, flácida e úmida em excesso, com valores de pH inferiores a 5,5, mais ácido que o normal (Souza, et al., 2018).

Por isso, as plantas de abate e processamento de carne estão investindo em tecnologias que evitem o sofrimento dos animais — bois, porcos, aves, ovelhas, entre outros, exigem soluções diferentes para o abate humanitário.

Tecnologias de atordoamento

O atordoamento é essencial no processo de abate. Permite que os animais estejam inconscientes e não experimentem sofrimento no momento da execução.

A pistola pneumática de dardo cativo permite que a pressão seja regulada de acordo com o tamanho do animal. Os modelos mais novos para uso industrial têm um dardo retrátil e um cano mais pesado para facilitar as manobras — esse dardo, semelhante a um parafuso, economiza tempo e ajuda a eliminar a possibilidade de a arma se prender a cabeça do animal.

As tecnologias avançadas do matadouro também estão permitindo que os operadores de plantas identifiquem os pontos ideais para o atordoamento. A melhor localização é na testa e assegura a precisão do atordoamento no meio do cérebro e pode ser usada para todos os mamíferos.

Qual o custo do abate humanitário?

A utilização de formas menos cruéis para o abate de animais é uma exigência das leis brasileiras e dos compradores. Por isso, produtores e matadouros só têm a ganhar quando investem em tecnologias favoráveis ao abate humanitário.

Como visto anteriormente, os procedimentos adotados para o abate humanitário promovem melhora no aspecto e na qualidade da carne garantindo uma boa aparência e maiores chances de venda no mercado. Além disso, há um novo mercado consumidor, que está cada vez mais interessado em saber a procedência do produto comprado.

Então, lembre-se: os custos de implementação de técnicas que permitam uma criação e um abate humanitário, são necessários, pois irão influenciar diretamente nossas chances de ganhar um mercado nacional e internacional cada vez mais exigente e consciente sobre o que serve em sua mesa.

 

Referências:

 Instrução Normativa nº 3, de 17 de janeiro de 2000. M.A.P.A.

FELICIO, P.E. de. Fatores que Influenciam na Qualidade da Carne Bovina. In: A. M. Peixoto; J. C. Moura; V. P. de Faria. (Org.). Produção de Novilho de Corte. 1.ed. Piracicaba: FEALQ, 1997, v. Único, p.79-97.

Souza, m.l.a., et. Al. Efeito do pH na qualidade da carne bovina comercializada no brasil: uma revisão da literatura. International journal of nutrology 2018; 11(s 01): s24-s327

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